17 de junho de 2015

Sugestão de leitura: conto "Iluminados", de João Carrascoza



Estavam sentados no sofá, marido e mulher, cada um com seu prato na mão, quando ocorreu o blecaute. Um grito ecoou pela vizinhança, sinal de que não fora problema só deles, um fusível queimado. A todos de uma só vez a escuridão engoliu. Em seguida, a quietude dos grandes sobressaltos.
        O susto apagou também a tranquilidade do casal. A surpresa os mastiga, vorazmente, assim como mastigam a última garfada de comida que haviam levado à boca.
         - Carajo! - Ramon grita, e se levanta.
         Corre para desligar a televisão, podem perdê-la se a luz retornar de uma hora para outra. Sorte não existir nada à frente, mesa ou cadeira, que lhe tornasse o caminho perigoso, vantagem de se viver em casa modesta e não ter crianças.
         - Não dá pra comer desse jeito!
         Desde que se casaram, as noites de ambos têm sido tranquilas. Deviam antes agradecer, dádiva magnífica essa escuridão, mas reclamar é do homem, como o corte é da tesoura.
         - Será que vai demorar? - Lúcia pergunta, engolindo a comida.
         - Eu que sei? - ele resmunga, voltando ao sofá. - Não vejo nada.
         Por um momento, imóveis e esperançosos, aguardam o milagre. Como se o blecaute fosse apenas um piscar de olhos da realidade; a luz nem bem sumiu, já reapareceria.
         A escuridão continua, plena, é preciso habituar os olhos. O silêncio se debate, como um coração, ou dois, entre as paredes.
         - Vou buscar uma vela - diz Lúcia, erguendo-se.
         Nascida entre as montanhas de Minas, sobra-lhe serenidade, precisa acalmar o marido, este espanhol explode fácil. Mas, se tem pavio curto, a quantidade de pólvora é mínima. Furioso num instante, resignado no outro. Nesta noite, tem razão em reclamar, difícil encontrar alguém satisfeito com o inesperado. Há quem esteja em apuro maior, sob o chuveiro, ao pé do fogão, dentro de um elevador.
         - Não precisa - ele ruge. - Perdi a fome.
         A luz dos faróis de um carro ricocheteia na vidraça da sala. O súbito clarão revela um vulto inerte, outro a oscilar, duas faces pálidas, já de volta ao escuro.
         Lúcia se esgueira pelo corredor, medindo os passos, como uma equilibrista, os olhos abertos mas vendados, o prato flutua em sua mão vacilante. Ela, sim, deveria se impacientar. Com a falta de luz, não poderá arrematar as costuras do Carnaval para o dia seguinte.
         Na cozinha, ela coloca o prato sobre o mármore da pia e, às apalpadelas, procura pela caixa de fósforos. Não a encontra, e quem a toma pela mão é o medo, estranha lembrança de lápides, densa presença da morte. A mulher procura entre as panelas no fogão, os olhos distinguem alguns contornos, atenuaram-se as sombras, a sólida obscuridade se ameniza, o marido, quando irritado, se expressa em língua materna:
         - Me cago en Dios!
         Lúcia achou a caixa de fósforos, riscou um palito, a chama titubeia e já se apruma. Rápida, ela abre uma gaveta do armário, sabe o que falta e o que sobra em casa, ali há um maço de velas, não para urgências como a de hoje, mas para louvar São Paulo, santo de quem é devota, desde menina, em Ouro Preto. Antes que o palito se queime inteiramente, ela já passou o fogo para um toco de vela. O pequeno facho de luz surpreende a escuridão, detém-na, mas não a domina, o exército das sombras é incontável.
         Estão os dois, marido e mulher, novamente sentados no sofá, o prato nas mãos, a comida ainda não esfriou, embora seu sabor tenha se alterado, para melhor, jantam agora à luz de vela. Ramon serenou, Lúcia leva o garfo à boca e o observa furtivamente. Há pouco assistiam TV, distantes um do outro e, de súbito, ele pode sentir a respiração de Lúcia, ela pode escutá-lo mastigando ruidosamente a comida, os dentes sadios e afiados.
         Não há nenhum castiçal dourado, mesa com requintes, nem dois cálices de xerez. Tampouco alguém para lhes servir à mesa. A vela, grudada a um pires, humilde feito uma coluna em ruínas, derrete silenciosamente. A chama projeta na parede duas sombras, estremecidas, que a um gesto de Lúcia parecem se fundir numa única.
         Apesar do mal-humor, Ramon come com prazer. À beira da chama miúda, a agulha do acaso ou de Deus costura uma atmosfera acolhedora. Se a sombra se projeta em parede de tijolo ou rocha, tanto faz, a quietude da sala recorda o eco em uma gruta.
         - A gente comendo à luz de vela - ela comenta, limpando os lábios gordurosos. - É até engraçado!
         - Não vejo graça nenhuma - ele resmunga. - Se a luz não voltar, vamos ter de tomar banho frio.
         - Vai voltar - ela diz. - Tenho encomenda pra amanhã.
         - Pro Carnaval?
         - É!
         - Pode esquecer.
         - Às vezes vem rápido - ela diz. - Quem sabe dá até pra pegar o finzinho do jornal.
         Se ainda não estão próximos, pelo menos o blecaute reduziu a distância entre eles. Há muito não permaneciam assim, juntos e quietos, um a medir o silêncio do outro, jantando sem a interferência das notícias, voltados para suas vidas, não para o vídeo.
         Outro carro irrompe lá fora, cortando a paz da noite. O bairro permanece às escuras. Em todas as casas, a refletir nos vidros, a chama das velas tremula, confundindo sombras, vultos que bailam como fantasmas.
         Lúcia recolhe os pratos, curta foi a refeição, apesar de interrompida, longa será a próxima hora, sem a TV para hipnotizar Ramon no sofá, a costura para manter a mulher ocupada.
         Ela deixa a vela para o marido, acende outra na cozinha, é preciso lavar toda a louça, tarefa difícil à meia-luz, mas poderia realizá-la de olhos fechados, se é que já não o faz hoje.
         A vela da sala logo se junta à da cozinha. Sem o que fazer, o marido vem ajudá-la. Para surpresa de Lúcia, Ramon pega do pano, gesto proibido aos homens, mesmo meninos, na sua Espanha, e vai enxugando silenciosamente os talheres.
         - Onde ponho isso? - ele pergunta, a escumadeira nas mãos, sem saber qual a sua utilidade.
         - Ali, naquela gaveta - ela responde, apontando com as mãos ensaboadas, ele a guarda na gaveta errada, mais abaixo.
         Não há crianças na casa, bem que gostariam, mas Lúcia não conseguiu ainda, triste anomalia, quem sabe um novo tratamento resolva o seu caso.
         - Acho que desta vez vai demorar - ela diz.
         - Já me conformei - ele comenta, depois de enxugar os dois copos. - Vou perder o jogo do Corinthians.
         - O escuro me lembra a infância - ela diz. - Faltava luz quando chovia. Minha mãe queimava ervas pra Santa Rita.
         - A minha rezava pra Virgem de Macarena. - ele diz. - E contava histórias. Juntava as mãos e das sombras na parede saía tudo quanto é bicho.
         - Eu morria de medo.
         - Eu também.
         - Parecia o fim do mundo.
         - A gente ia pra cama mais cedo.
         - Tomava banho de bacia.
         Ele sorriu, ela também.
         Faltam só duas panelas e a cozinha logo estará em ordem; com um ajudante, mesmo desajeitado, vai-se mais rápido.
         - Se quiser banho quente, posso ferver um caldeirão de água - ela diz, terminando o serviço.
         Ramon permanece calado. Com o pano de prato entre os dedos, abre a porta dos fundos e o pendura no varal. Lá fora, o escuro palpita, a quietude se desdobra pela noite, o ar úmido é como seda no rosto. Uma luminosidade se insinua acima do muro e, só quando ergue os olhos, ele descobre, boquiaberto, as estrelas pulsando no espaço.
         - Coño!
         Lúcia vem em sua direção, nem sonha com mais esta surpresa da noite.
         - Nossa!
         As duas velas ardem na pia, o casal observa os astros. Por alguns minutos, vão permanecer mudos, como crianças, girando a cabeça para ver as estrelas.
         - A última vez que vi um céu assim, a gente tinha começado a namorar - diz Ramon, antes de voltar à cozinha. 
         - Lembro bem - ela emenda. - Foi na varanda de casa. Você declamou um poema de Garcia Lorca.
         Ele fecha a porta, ela vai enchendo o caldeirão de água, conhece bem seu marido, hoje está lhe recordando outro, aquele com forte sotaque, que lhe despertou a atenção no passado.
         Ramon apanha uma das velas e se enfia pelo corredor, sorrateiro e hesitante como um espectro. O breve fulgor da chama desenha estranhas imagens nas paredes, que já retornam à escuridão. No quarto, ele abre o guarda-roupa e algo se desprende lá do fundo, vem sobre ele, vai cair no assoalho, se não o amparar. O susto lhe retarda a ação e, quando se move, não pode mais evitar a queda do objeto. Ao tosco ruído da madeira contra o chão sucede o alegre retinir das cordas. É o seu violão gitano, de muito uso ontem, quase nenhum hoje.
         - Mierda!
         Em boa hora vem este violão, desafinado, uma película de pó o cobre, se o dono não vai até ele, eis que o próprio se move. As velas queimam, uma apoiada no pires sobre o criado-mudo, outra na pia da cozinha, Lúcia à beira do fogão zelando pela água, há quanto tempo ele não lhe canta uma música?
         O marido recolhe o instrumento e se faz a mesma pergunta, nem parece que há uma massa de trevas a separá-los, o essencial é que se tocam, se por pele ou pensamento, não importa. Ramon segura o violão um instante, antes de recostá-lo à cabeceira da cama, a única riqueza que trouxe de sua terra, além da que lhe vai no sangue. Vira-se para o guarda-roupa em busca de short e camiseta, tomar banho é o próximo programa da noite. Se esperasse um pouco, talvez a luz voltasse, mas Lúcia já aqueceu a água, seria triste desapontá-la.
         Ela se esqueceu da costura para o dia seguinte, controla a fervura no caldeirão e em outra panela que levou ao fogo. Dos dois, é quem primeiro sente a dádiva cosida pelo blecaute, já a recebeu outras vezes, chovia forte e costumava faltar luz em Ouro Preto. O terceiro pires, com um toco de vela a arder, repousa na mesa da cozinha, para a borda da banheira Lúcia o conduzirá, vai misturar as duas águas, a fria primeiro, jato de torneira e, em seguida, a fervente, do caldeirão.
         Ramon se despe devagar. Três velas clareiam suas pernas peludas, seu pênis recolhido, suas largas espáduas, e Lúcia, refletida no espelho, tanto quanto as chamas que tremulam, vê o marido deslizar pela banheira, uma contração na face, a água elemental a lhe ungir o corpo.
         - Muito quente? - ela pergunta.
         - Não - ele responde.
         - Vou ferver mais um caldeirão!
         Ramon fecha os olhos, uma delícia o torpor que sente. Desde que haviam alugado a casa, reclamava da banheira. Nunca a haviam usado, queriam substituí-la por um box. Ele agora experimenta uma inesperada sensação de abandono, como se a solidão lhe cutucasse e, então, chamou:
         - Lúcia!
         A costureira, inclinada sobre o fogão, cercada pelas trevas, ouviu o chamado, mas aguardou. Manteve-se imóvel, sabia que Ramon a chamaria de novo, e de fato ele o fez:
         - Por que não vem?
         Ela foi.
         Três chamas tremulam outra vez, juntas, sombras por todos os lados, mais parece um altar esse banheiro silencioso. Lúcia se desnuda, ligeira, os seios cônicos, a cintura delgada, as coxas fartas. Entra na banheira, pela extremidade oposta, para não incomodar o marido, e ficar à frente dele. Apesar da leveza de seu gesto, a água já morna rumoreja à sua entrada. Ramon afasta as pernas para que ela se encaixe.
         - Bueno.
         - Sí, bueno...
         Os dois cerraram os olhos. Ela sente cócegas nos pés e os move com suavidade, roçando sem querer o pênis dele. Ramon abre os olhos, o desejo renasce, sob a água que esfria, em meio às coxas apertadas, eis o púbis de Lúcia onde começa outra noite.
         Não tardará para que o pênis se alongue, os braços se apertem, os corpos se entendam, e o chão se molhe.
         Depois, com as pernas trêmulas, Ramon ajudará Lúcia a arrumar o banheiro, segunda cortesia que lhe faz esta noite. Duas velas já agonizam e, antes que se apaguem, cumpre acender outra e levá-la à sala.
         Envolvida numa camisola, Lúcia se senta no sofá. A casa permanece em ordem, cada coisa em seu lugar, exceto a costura, mas até onde vai sua culpa se faltou luz?
         Segurando um pires, Ramon se enfurnou pelo quarto, voltará metido em seu pijama, na outra mão, o violão gitano.
         A mulher o observa, atônita, a última vez que ele tocou foi há um ano, mais pelo ócio que pela paixão.
         - Vai tocar? - ela pergunta.
         Nem no claro se descobriria que seus olhos sorriem. Vacila sua silhueta com a luz das velas, assim como as mãos de Ramon, apoiando o violão no ventre. Por alguns minutos, ele se ocupa em afinar o instrumento. Gira as tarraxas, estica uma corda, afrouxa outra, inclina-o, recoloca-o na posição inicial, braço contra braço. O toque de seus dedos agora é outro, não como da última vez. Depois de percorrerem o corpo amado, mais habilidosos se tornaram.
         Ao longe, a sirena de uma viatura. Outro automóvel rasga a rua ao lado. A sombra na parede é enganadora, revela apenas um homem e seu violão. E ele o dedilha, compenetrado; Lúcia observa, condescendente, é o intróito de uma clássica canção sevilhana. Sofrível, diriam os entendidos, a performance de Ramon, mas não teria graça nenhuma se em seu lugar estivesse Andrés Segóvia.
         Uma linha puxa outra e outra e outra, até que se constitua um tecido. Assim também se dá com a música. De uma, o homem vai a outra. A primeira, só melodia. A segunda, acrescida de canto, mas voz única. A terceira, e as outras, duas vozes desafiando a escuridão.
         Os dois cantam, como há muito não faziam, esquecidos do futebol, das agulhas, do blecaute. Percebem, mas não se importam, que uma das velas se apaga, as sombras crescem ao redor, ameaçando engolir tudo.
         A segunda vela derrete, está quase no fim. Lúcia poderia ir à cozinha apanhar outra. Ramon ao banheiro, aliviar-se. Mas não, outra sevilhana já foi iniciada. As posições no instrumento ele conhece de olhos fechados. Ela sabe a letra, o marido as ensinou, tantas. E, então, na calmaria da noite, submersos no escuro, continuaram a cantar.

9 de abril de 2015

Um abril carregado de eventos culturais

Para quem vive ou está a passeio na capital carioca, vale a pena conhecer a Fundação Casa de Rui Barbosa, na zona sul do Rio. Este mês, a FCRB está repleta de eventos bacanas, e vale a pena conferir, entre eles, este aqui:

Conferência A dialética de Yang-Mills-Shaw e os neutrinos sociais
Clique na foto para ampliarA Fundação Casa de Rui Barbosa (FCRB) recebe a conferência A dialética de Yang-Mills-Shaw e os neutrinos sociais, ministrada pelo prof. dr. José Abdalla Helayël-Neto. O evento acontece no dia 15 de abril, às 15 horas, na sala de cursos da FCRB.

O professor falará sobre seu trabalho à frente do PVNC-Petrópolis, movimento social na área de educação comunitária ligado ao grupo de pesquisa de “Física e Humanidades”, do Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas (CBPF/MCTI).

A proposta do curso PVNC-Petrópolis é incentivar o desenvolvimento do pensamento científico em jovens e adultos das classes populares na cidade serrana. O Pré-Vestibular Comunitário vai além do preparo para ingresso nas universidades públicas e se dedica a incluir seus alunos no universo do conhecimento e das ideias.

A palestra, mediada pela pesquisadora Isabel Lustosa, abordará os resultados positivos desse trabalho educacional que teve início em 1994. A apresentação do professor Abdalla será uma oportunidade para saber mais sobre história do projeto que, além de colaborar para a formação de muitos Mestres e Doutores, torna mais clara e perceptível relação da Ciência com a Sociedade.

:: Sobre o palestrante:
José Abdalla Helayël-Neto, natural de Rio Bonito - RJ, é Bacharel e Mestre em Física pela PUC - RJ e MPh e PhD em Física pela International School for Advanced Studies in Trieste, onde realizou a sua formação no Grupo de Pesquisa do Prof. Abdus Salam, Nobel de Física de 1979. No CBPF-MCTI, desenvolve pesquisa na área das Teorias para as Interações Fundamentais. Dedica-se também à Educação para as Ciências e é fundador e professor do PVNC-Petrópolis, núcleo de extensão cuja missão é motivar e formar novas gerações de cientistas oriundos das camadas mais pobres da população.

Fonte: Divulgação - FCRB


E para quem se interessar, estão abertas as inscrições para o II Colóquio Internacional A Casa Senhorial: Anatomia de Interiores. Veja informações no texto abaixo.
II Colóquio Internacional A Casa Senhorial: Anatomia de Interiores
Clique na foto para ampliarEstão abertas as inscrições de proposta de comunicação para o II Colóquio Internacional A Casa Senhorial: Anatomia de interiores. O prazo para envio termina no dia 17 de abril. O evento será realizado de 11 a 13 de agosto de 2015, na Fundação Casa de Rui Barbosa (FCRB).
Na ocasião, serão comemorados os 85 anos do Museu Casa de Rui Barbosa, o primeiro museu-casa do pais. O colóquio é promovido pela FCRB e conta com o apoio da EBA/UFRJ, da EAU/UFF e do Museu da República/Ibram, Universidade Nova de Lisboa (Portugal) e Fundação Ricardo Espírito Santo e Silva (Portugal).

Trata-se de um dos desdobramentos do projeto “A Casa Senhorial em Lisboa e no Rio de Janeiro. Anatomia dos interiores”, voltado para o estudo da casa de morada da nobreza e da alta burguesia, entre os séculos XVII e XIX, focando os múltiplos aspectos dos seus interiores, que teve como eixo de sua primeira etapa de pesquisa duas regiões do mundo cultural e artístico luso-brasileiro: Lisboa e Rio de Janeiro. Através de colóquios bilaterais e internacionais, da publicação dos resultados das pesquisas e de site especializado, o projeto debateu os fundamentos para um estudo integrado e comparado da Casa Senhorial e dos seus interiores nos dois lados do Atlântico.

O interesse suscitado pelo I Colóquio, realizado em Lisboa (2014), que contou com uma significativa participação de investigadores brasileiros, levou a FCRB promover a realização dessa nova edição do evento em seu auditório.
 :: Eixos temáticos (período compreendido do século  XVII  à década de 1930 do século  XX)
1. Espaço interior, estrutura e programa distributivo. O espaço interior e a função das várias divisões; a circulação, as escadarias e a sua articulação com a entrada, as salas de aparato, as zonas privadas e as zonas de serviço; nomenclaturas funcionais e simbólicas de cada espaço.
2. A ornamentação fixa. A decoração aplicada: do azulejo à pintura mural, passando pelos estuques decorativos, pela madeira e pedraria, pelos tecidos e papel de parede, os programas decorativos e iconográficos.
3. O equipamento móvel. Os objetos que contribuíram para o aparato e conforto das casas ao longo de gerações: pratarias, vidros, louças, candelabros, tapeçarias, tapetes, móveis, bibelôs e equipamento utilitário.

:: Etapas
Até 17 de abril – Envio dos resumos das propostas de comunicação (entre 300 e 500 palavras) e notas biográficas (com o máximo de 400 palavras) para o e-mail  memoria@rb.gov.br, assunto II colóquio A Casa Senhorial;
Até 13 de maio – Divulgação dos resultados da avaliação, da responsabilidade da Comissão Científica do colóquio;
Até 13 de julho – Envio dos textos para o e-mail memoria@rb.gov.br, assunto II colóquio A Casa Senhorial.

:: Inscrições
Isentos = palestrantes, comunicadores, membros da comissão científica, servidores e bolsistas da Fundação Casa de Rui Barbosa.
Taxa de inscrição: R$ 100,00 (profissionais), R$ 50,00 (estudantes, professores e servidores do MinC).

:: Dados para pagamento
Depósito identificado Associação Amigos da Casa de Rui Barbosa
Banco do Brasil (001) | Agência: 0287 – 9 Conta Corrente: 14983-7
O comprovante de pagamento deve ser enviado para memoria@rb.gov.br com a identificação do depositante.

Informações e inscrições: memoria@rb.gov.br 21 3289.8661 / 8662.


:: Envio de proposta
Fazer download e enviar a ficha de submissão de proposta (disponível no link abaixo) para o e-mail memoria@rb.gov.br, assunto: II colóquio A Casa Senhorial

 

:: Texto para publicação
Os textos para fins de publicação deverão ser remetidos para o endereço eletrônico memoria@rb.gov.br até o dia 13 de julho de 2015 com a seguinte configuração: até 15 laudas com tudo incluído; margens em 2,5cm; fonte arial 11; espaço 1,5; alinhamento à esquerda, parágrafo sem recuo, justificado; separação entre parágrafos com espaço duplo. Notas explicativas e de referências ao fim, fonte arial 9, espaço simples. Não numerar as páginas. Não incluir referências bibliográficas.
Até 6 imagens (300dpi ou 1024 pixels na menor dimensão), com legenda e créditos abaixo da imagem, centralizada, com fonte arial tamanho 9, espaço simples. A localização das imagens deve ser indicada no texto e os arquivos de imagem devem ser enviados em separado em JPEG, identificadas com o número correspondente à figura do texto.
Lembramos que os textos devem seguir as novas normas ortográficas e serem submetidos à revisão, visto que os autores se responsabilizarão integralmente sobre o teor de seus escritos. As autorizações para uso de imagens também ficam a cargo do(s) autor(es).
Ao fim do texto, incluir breve currículo do(s) autor(es) com, no máximo, 8 linhas, fonte arial 11, espaço simples.

Fonte: Divulgação - FCRB



MAIS EVENTOS


Acadêmico e poeta Antonio Carlos Secchin lança o livro “João Cabral de Melo Neto: uma fala só lâmina”

O Acadêmico, ensaísta e poeta Antonio Carlos Secchin, sétimo ocupante da Cadeira 19 e Primeiro-Secretário da Academia Brasileira de Letras, lança, no dia 16 de abril, quinta-feira, a partir das 19 horas, na Livraria Travessa do Leblon, o livro João Cabral de Melo Neto: Uma fala só lâmina. A obra, editada pela Cosac Naify, é a reunião de seus ensaios escolhidos sobre o poeta pernambucano e foi organizado em duas seções, segundo os editores.
Na primeira, Secchin analisa todos os livros de João Cabral, cronologicamente sequenciados. Essa parte reedita a obra João Cabral: a poesia do menos, publicada em 1985, inteiramente revista e ampliada em cinco capítulos: “O poeta aponta” (sobre Primeiros poemas), “Frei Caneca: a voz silenciada” (sobre Auto do frade), “Outras paisagens” (sobre Agrestes), “Ouvindo dizer” (sobre Crime na calle Relator) e “Ponta final” (sobre Sevilha andando).
Na segunda, intitulada “Outros ensaios”, estão reunidos estudos de Secchin, antes dispersos, também fundamentais para uma compreensão aprofundada da obra de João Cabral. De acordo com os editores, o livro conta ainda com uma seção iconográfica que reproduz as capas das primeiras edições dos livros de poesia do escritor pernambucano, que também foi Acadêmico – ocupou a Cadeira 37, para a qual fora eleito em 15 de agosto de 1968 (faleceu no dia 9 de outubro de 1999).
Os editores selecionaram, também, uma frase de João Cabral de Melo Neto numa entrevista de 1991: "Entre todos os professores, pesquisadores e críticos que já se debruçaram sobre minha obra, destaco Antonio Carlos Secchin. Foi quem melhor analisou os desdobramentos daquilo que pude realizar como poeta".
Saiba mais
Antonio Carlos Secchin
Antonio Carlos Secchin nasceu no Rio de Janeiro, em 1952. Doutor em letras e professor emérito da Universidade Federal do Rio de Janeiro, desde 2004 ocupa a cadeira 19 da Academia Brasileira de Letras, onde exerce, atualmente, o cargo de Primeiro-Secretário.
Poeta e ensaísta, Secchin publicou, entre outras obras, João Cabral: a poesia do menos (1985),Poesia e desordem (1996), Todos os ventos (poemas reunidos, 2002, ganhador dos Prêmios da ABL, da Biblioteca Nacional e do Pen Clube), Escritos sobre poesia & alguma ficção (2003), 50 poemas escolhidos pelo autor (2006), Memórias de um leitor de poesia (2010), Eus & outras (antologia poética, 2013).
Ainda em 2013, a Editora da UFRJ publicou Secchin: uma vida em letras, com dezenas de artigos, ensaios e depoimentos sobre a produção do Acadêmico como escritor, editor, docente e bibliófilo. É Oficial da Ordem de Rio Branco.
7/4/2015

Fonte: Divulgação Academia Brasileira de Letras




4 de março de 2015

Lenços de Namorados: cartas de amor na arte do bordado


Você tem ou tinha o hábito de escrever cartas de amor? Eram manuscritas, datilografadas ou, quem sabe digitadas, para sermos mais atuais? Pois é, nessa era tecnológica, em que o tempo entre o ato de pensar e o de registrar por escrito o que se vai pela mente e pelo coração voa mais rápido que o inspirar e expirar, escrever - ou melhor, declarar por meio da escrita seus sentimentos mais profundos por outrem tornou-se um ato ultrapassado, pelo menos para as novas gerações.

No entanto, ainda há quem preze, mesmo diante da celeridade e brevidade de uma simples correspondência eletrônica, manter antigos hábitos. E é assim que a memória cultural da província do Minho, região norte de Portugal, cultiva suas tradições, quando o assunto refere-se a "cartas" de amor. 

Uma antiga lenda minhota conta que uma moça em idade de casar, apaixonada por um estudante de Direito que frequentava a sua casa, bordara um lenço de tecido declarando seus sentimentos a ele, como se fora uma carta. O rapaz aceitou a moça, levando com ela um casamento duradouro e feliz. Assim, surge a tradição de que todas as raparigas (moçoilas) minhotas aprendem a bordar desde cedo para que, quando alcancem a idade de casar, possam se declarar ao seu pretendente por meio da arte do bordado. Se o rapaz pretendido usar publicamente o lenço ofertado por ela, é sinal de que ele está se comprometendo a um relacionamento sério com a moça, demonstrando que corresponde ao seu amor.



Lenda ou não, fato é que tais bordados tornaram-se conhecidos como Lenços de Namorados e firmaram tradição na cultura minhota, atravessando séculos de história, chegando aos nossos dias para encantar os que ainda se comovem diante de lindas histórias de amor.

Atualmente, os Lenços  de Namorados servem não apenas como um referencial da memória histórica e cultural da região do Minho, e de Portugal como um todo, mas também é apreciado como artigo de decoração, muito consumido por turistas que visitam aquela província. Não é à toa que o produto ganhou status de importância para a economia local no ramo do artesanato, fazendo com que surgissem diversas cooperativas de artesãs bordadeiras, entre as quais a Aliança Artesanal de Vila Verde, que atua sob a chancela de um selo de qualificação e certificação do produto. Para isso, os lenços produzidos pelas artesãs necessitam preencher alguns requisitos, como o uso de dizeres da cultura popular antiga, símbolos referentes à paz (pomba), amor (coração, chaves), natureza (flores, galhos, ramos), amizade, que expressem alegria ou mesmo tristeza, tudo bordado à mão com cores fortes e vibrantes.





Fonte para a pesquisa deste texto: http://www.dorigemlusa.pt/conhecer/lencos-namorados/

24 de fevereiro de 2015

Natalício da expoente poetisa galega Rosalía de Castro

Ela é a poetisa que melhor traduz o sentimento galego de um povo arraigado a sua terra e as suas raízes. No quesito "saudade", Rosalía está para a Galícia assim como Florbela Espanca encontra-se para Portugal. Ambas tornaram-se conhecidas do público em geral, e admiradas por seus pares, como o português Teixeira de Pascoaes e o galego Ramón Cabanillas, não apenas pelo encantamento de seus versos, pela força expressiva de seus estilos mas, principalmente, creio, por representarem as angústias e a opressão vividas pelas mulheres de seu tempo. 

A Real Academia Galega rende, no texto abaixo, homenagem ao maior ícone de sua literatura com publicação de um estudo inédito sobre a escritora, por Fermín Bouza-Brey. 



Artigos rosalianos' de Fermín Bouza-Brey

En 1970, a Fundación Barrié de la Maza concedíalle unha bolsa de investigación ao escritor e académico Fermín Bouza-Brey para que completase os seus estudos sobre a figura de Rosalía de Castro.
Imaxe de Rosalía de Castro no buscador google.
O buscador Google rendeulle hoxe homenaxe a Rosalía de Castro polo seu natalicio.

Antes de dar comezo á súa pescuda definitiva sobre a materia, Fermín Bouza-Brey(1901-1973) era xa considerado o máximo coñecedor da vida e a obra de Rosalía de Castro do seu tempo. Os seus estudos anteriores abranguían tanto a recuperación e edición de textos rosalianos inéditos ou espallados en publicacións periódicas e a análise crítica da súa obra, como a reconstrución pormenorizada do seu percorrido vital, tal é o caso de La joven Rosalía en Compostela (1852-1856), publicada xa en 1955.

Deste xeito, cando Fermín Bouza-Brey lle solicita en 1970 á Fundación Barrié de la Maza unha bolsa de investigación sobre o tema "Bio-Bibliografía documentada de Rosalía de Castro", ten máis ben como obxectivo reunir os datos pendentes de verificación sobre unha materia xa extensamente tratada ao longo da súa carreira intelectual, antes que iniciar o estudo dun asunto novo, tal e como expón na "Memoria final descriptiva de la investigación realizada", que xustifica a bolsa solicitada, e que permanecía inédita ata hoxe.

Apuntes para una bio-bibliografía documentada de Rosalía de Castro Memoria final descriptiva de la investigación realizada por el becario Fermín Bouza-Brey Trillo 1970-1971, pódese descargar nesta ligazón. [PDF 3.8Mb]

Ademais desta publicación, ofrecemos tamén a versión dixital da obra Artigos Rosalianos na que se recollen ensaios publicados na revista Cuadernos de Estudios Gallegos do Instituto Padre Sarmiento entre 1945 e 1960, e que foi publicado en 1992, ano do Día das Letras Galegas dedicado a Bouza-Brey, cunha introdución do profesor Xosé Carro Otero e un estudo introdutorio do profesor Benito Varela Jácome.

Dado o seu gran tamaño, a copia dixital deste ensaio foi dividido en dúas partes para facilitar a súa lectura, a primeira metade pódese descargar nesta ligazón [PDF 23.6Mb] e a segunda nestoutra ligazón. [PDF 26.4Mb]

14 de fevereiro de 2015

A Teoria de Tudo Trailer Oficial (2015) Legendado HD

Para quem ainda não viu, vale a pena assistir. O amor à ciência e o amor ao próximo apresentados de forma sublime. Brilhante, sensível, apaixonante como a genialidade de seu protagonista, Stephen Hawking.







9 de fevereiro de 2015

DE PORTUGAL PARA O BRASIL


Texto: divulgação Museu da Língua Portuguesa

Escritora Agustina Bessa-Luís é homenageada em exposição no Museu da Língua Portuguesa
Até o dia 01 de março de 2015, o Museu da Língua Portuguesa, equipamento da Secretaria da Cultura do Governo do Estado de São Paulo, e o Consulado Geral de Portugal em São Paulo prestam uma homenagem a escritora portuguesa Maria Agustina Ferreira Teixeira Bessa, com a realização da exposição “Agustina Bessa-Luís, Vida e Obra” com concepção de Inês Pedrosa e João Botelho.

Maria Agustina Ferreira Teixeira Bessa nasceu no dia 15 de outubro de 1922 em Vila Meã (Amarante – Portugal) e se tornou uma escritora mundialmente conhecida sob o pseudônimo literário de Agustina Bessa-Luís. Autora de várias dezenas de obras, entre romances, contos, peças teatrais, livros infantis e crônicas, a escritora ainda dedicou seu tempo a outras atividades sendo que entre 1990 e 1993 foi diretora do renomado Teatro Nacional d Maria II em Lisboa.

Para  o Museu da Língua Portuguesa esta é uma bela oportunidade de aproximar os brasileiros das obras desta importante autora de nosso idioma, mas que ainda não é muito conhecida e lida no Brasil. Com a realização desta mostra, o Museu segue cumprindo seu papel de valorização da língua portuguesa e da nossa melhor expressão literária.

A mostra, que está em exibição no saguão do terceiro andar do Museu da Língua Portuguesa, é uma iniciativa e realização do Instituto Camões (Camões – Instituto da Cooperação e da Língua, I.P. – importante instituição ligada ao Ministério dos Negócios Estrangeiros de Portugal) e sua exibição é fruto de uma parceria com o Consulado Geral de Portugal em São Paulo.

Por meio dos 20 painéis ilustrados com textos e fotografias, a exposição apresenta ao público a trajetória da grande escritora desde sua chegada ao Porto para estudos em 1935, sua breve passagem por Coimbra nos anos quarenta até o lançamento do livro de estréia como neo romântica a novela “Mundo Fechado” em 1948. Em 1950 Agustina volta ao Porto onde reside até os dias de hoje. O sucesso e o reconhecimento vieram em 1954, com o lançamento do romance “A Sibilia” que já apresenta toda a maturidade do seu original processo criativo.



Situada pelos críticos como neo-romântica, Agustina transborda um enorme interesse pelo escritor Camilo Castelo Branco e graças ao conjunto de sua obra foi agraciada com inúmeros prêmios entre eles a Medalha de Honra da Cidade do Porto e a Ordem das Artes e das Letras da República Francesa no Grau de Oficial. Em 2004, aos 81 anos, ela recebeu o Prêmio Camões, o mais importante prêmio literário da língua portuguesa.



As obras de Agustina foram traduzidas para o alemão, espanhol, francês, grego, dinamarquês, italiano e romeno. Alguns romances serviram também de inspiração para vários filmes, principalmente do cineasta português Manoel de Oliveira. Entre eles os filmes “Vale de Abrãao” de 1993 a partir do romance de mesmo nome e o filme “O Convento” de 1995, a partir do romance As Terras do Risco.



Agustina Bessa-Luís que se afastou da produção literária por questões de saúde, em 2006, com o lançamento de seu romance “A ronda da noite”, faz parte de importantes instituições como a Academia de Ciências de Lisboa, a Academia Européia de Ciências, das Artes e das Letras e da própria Academia Brasileira de Letras.

7 de fevereiro de 2015

Ingreso de Nélida Piñon

Apesar do atraso na publicação da notícia, passada em setembro de 2014, é com alegria que compartilhamos a cerimônia de posse da escritora brasileira Nélida Piñon na Real Academia Galega.